Munduruku e Muirapinima fizeram disputa de gigantes no Tribodromo.
Por: Henry Matias e Edvan Gonçalves - Fotos: Marcel, Adaias Neto, Tiago Pará

 
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A necessidade de todos zelarem pela Amazônia, lutar contra a extinção do índio e proteger a natureza nortearam a apresentação dos Muirapinimas e Munduruku´s, ontem, na noite da 13º edição do Festival das Tribos de Juruti.

MUNDURUkU´S

A Tribo Munduruku´s desenvolveu o tema “Amazônia, Cunhantã dos olhos do mundo”. Para o conselho de arte da Tribo, responsável pelo desenvolvimento do tema, a Amazônia tão cobiçada pela riqueza de sua biodiversidade e pelos vastos recursos existentes em seu solo, com seu poderoso potencial de mananciais de água doce e sua exuberante fauna e flora precisa ser defendida e explorada de forma sustentável. Seguindo esta linha os artistas da tribo usaram o exemplo secular dos povos tradicionais que procuravam caminhar com leveza sob a terra, convivendo em harmonia com as diferentes paisagens, interferindo com gentileza no ambiente evitando degradar o meio ambiente.

Ao abrirem a noite do Festribal os Mundurukus começaram sua viagem pela biodiversidade da Amazônia emocionando a sua galera com a entrada do regional Donos da Terra fantasiados de curupira. O apresentador Jr. Batista saudou os jurados e narrou uma prévia do tema “Amazônia, cunhantã dos olhos do mundo”, e iniciou a apresentação de sua tribo em grande estilo foi quando surgiu no centro do Tribodromo uma grande alegoria, A maloca da vida, contando a lenda “A Criação da Amazônia, na visão Munduruku”. Da grande maloca da vida saiu o primeiro homem Munduruku (Rairú), porém, sentindo a solidão pediu ao seu pai (Karú-Sacaebê), o criador do universo, um mundo cheio de beleza, onde podesse viver feliz, pediu também “gente igual a ele para habitar a terra”. Atendendo ao pedido de seu filho Karú-Sacaebê ordenou que ele fosse ao umbigo da terra, e lá ele encontraria uma corda de algodão, e pediu que amarrasse com bravura e coragem e abrisse a maloca da vida e lá ele encontraria os seus irmãos mundurukus, Apiacás, Parintintin, Sateré-maué e kaiapó e todos os seus irmãos animais e vegetais povoando assim toda a Amazônia.

O guará vermelho, pássaro que anuncia o alvorecer do 1º dia para os índios munduruku trouxe a porta estandarte Nabila Barbosa e o 1° dia foi anunciado pelo vôo do pássaro guará-vermelho, miticamente considerado o pai do “sol”. Nabila representou o primeiro dia da criação do mundo.

Fazendo uma viagem no imaginário indígena, no auto da criação Munduruku a Índia Guerreira Thais Sampaio personificou-se de Yucatã a primogênita dos munduruku´s.

A apresentação da tribo foi ao mesmo tempo harmônica e empolgante. Os torcedores vibraram especialmente com a música mística do fogo e com a tribo coreografada que veio representando os homens urubus, mulheres araras e feras guaribas com uma coreografia de encher os olhos.

Com a lenda Amazônica Yrupê (vitória Régia) a Tribo Munduruku lançou seu lamento pela preservação da água doce no mundo, a Guardiã Tribal, Gabriela Batista, representou Naiá, a flor das águas amazônicas e convidou o mundo para preservação das águas doces.

A arquibancada também se destacou com muitos adereços, animando a evolução da tribo com um espetáculo surpreendente, empolgante e cheio de desenvoltura.

O ritual indígena apresentado foi o do Tamakuaré, onde o pajé ordenou que jovens Xavantes fossem a floresta à procura do animal sagrado, o Tamakuaré verde, animal que some rapidamente, porque facilmente se camufla na natureza, porém um outro tipo de Tamakuaré, o pardo, eles não poderiam pegá-lo, pois este erro poderia despertar a ira de espíritos malignos, destruidores e devastadores no mundo e na nação Xavante.

A tribo Munduruku fechou sua apresentação mostrando para o Brasil que Amazônia cunhantã dos olhos do mundo é um canto de esperança e clamor pela vida, no santuário amazônico tão fundamental para a jornada do homem rumo a um futuro cheio de incertezas, mas com esperança de fazer o mundo inteiro inspirar-se no exemplo dos índios que através da linguagem do coração, do amor tratam a natureza como mãe.

MURAPINIMA

Os Muirapinimas segunda tribo a se apresentar desenvolveu o tema “Celebração Indígena”, fazendo um apelo em favor da valorização do índio amazônida. Mostrando o quanto é importante celebrar a vida, exemplificar algumas cerimônias que dão continuidade as tradições e costumes das etnias indígenas. O narrador Silvio Araújo iniciou a apresentação da tribo azulada animando a galera e chamando o apresentador Théo Neves e o Regional Filhos da Terra que no primeiro momento surgiram como seres das trevas e em seguida se transformaram em paisagem amazônica levantando a galera. Théo Neves deu boas vindas à comissão julgadora e lhes apresentou o tema que iniciou com a lenda amazônica Yebá Belô para representar uma das várias versões existentes sobre a criação do mundo na visão dessana. Segundo as crenças indígenas Yebá Belô era avó do mundo e achava que faltavam muitas coisas para completa-lo então resolveu criar o Umukowi, a grande maloca rochosa e dar vida e os seres que poderiam habitá-la, e do seu ventre surgiram lindas mulheres férteis que deram luz a humanidade representada pelas tribos Kamaiurá, Taulipangue, Ticuna, Kaiapó e a Yanomame que apareceram do ventre de Yebá Belô para concorrer ao item evolução tribal.

Outra lenda enaltecida na apresentação foi a de Jurupari e Ceuci que trouxe a Porta Estandarte Suame Gonçalves representando Yebá Belô à avó da terra que surgiu do alto do tribodromo na alegoria “Feto de origem quartzo“, simbolizando a vida causando euforia nos espectadores. A Guardiã Tribal Darlene Nascimento surgiu da face de Jurupari personificada de Ceuci a mãe de Jurupari que na historia foi levada ao céu pelo seu filho e transformada em uma estrela resplandecente.

A dança das almas, rito dos índios Bororos, foi lembrada na temática dos Muirapinimas, com a Alegoria “Aroe ereru“ na qual surgiu a Índia Guerreira Roneise Santarém representada e incorporada pela cobra, espírito das águas, curupira e espíritos das matas que também eram celebrados pelos os índios Bororos.

Destaque para tribo coreografada que mais uma vez inovou levando para a taba sagrada módulos lembrando gigantescos morcegos sobrevoando o tribodromo, mostrando o duelo da tribo dos Tapajós que foram enganados durante a celebração ao deus Aura por um demônio destruidor, representaram pajés, metamorfose de ererês e onças.

A apresentação da tribo Azul foi organizada, empolgante e a animada torcida vermelha e azul mais uma vez fez a sua parte, e com pompons, bandeiras e principalmente palmas, cantou e fez bonito junto ao apresentador Théo Neves com sua habitual segurança e os demais itens. Destacando o ponto alto da tribo o “ritual Aura Xamanístico Minikaw” o qual os indígenas acreditavam que quando morto os índios lhe colocassem a máscara ela podia passar para seus ossos a qualidade da divinização e eles se igualariam ao deus Aura e quem tomasse o pó dos ossos dos mortos seria incorporado por Aura que veio representado pelo pajé Alisson Lima conduzido por um Ererê em metamorfose de onça.

Os Muirapinimas utilizaram tanto a arte cênica quanto a interação com a galera como pontos cruciais em sua apresentação. Todas as alegorias da tribo representaram personagens simbólicos de acordo com a temática da apresentação.

Ao deixarem a ocara sagrada da festa tribalesca, os Mundruku´s e Muirapinimas mostraram que continuam com a garra de sempre apostando na cultura indígena e que a Amazônia necessita ser explorada de forma sustentável, sem tirar a vida do povo esquecido da floresta.

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