A
necessidade de todos zelarem pela Amazônia, lutar
contra a extinção do índio e proteger
a natureza nortearam a apresentação dos
Muirapinimas e Munduruku´s, ontem, na noite da
13º edição do Festival das Tribos
de Juruti.
MUNDURUkU´S
A
Tribo Munduruku´s desenvolveu o tema “Amazônia,
Cunhantã dos olhos do mundo”. Para o conselho
de arte da Tribo, responsável pelo desenvolvimento
do tema, a Amazônia tão cobiçada pela
riqueza de sua biodiversidade e pelos vastos recursos existentes
em seu solo, com seu poderoso potencial de mananciais de água
doce e sua exuberante fauna e flora precisa ser defendida
e explorada de forma sustentável. Seguindo esta linha
os artistas da tribo usaram o exemplo secular dos povos tradicionais
que procuravam caminhar com leveza sob a terra, convivendo
em harmonia com as diferentes paisagens, interferindo com
gentileza no ambiente evitando degradar o meio ambiente.
Ao
abrirem a noite do Festribal os Mundurukus começaram
sua viagem pela biodiversidade da Amazônia emocionando
a sua galera com a entrada do regional Donos da Terra fantasiados
de curupira. O apresentador Jr. Batista saudou os jurados
e narrou uma prévia do tema “Amazônia,
cunhantã dos olhos do mundo”, e iniciou a apresentação
de sua tribo em grande estilo foi quando surgiu no centro
do Tribodromo uma grande alegoria, A maloca da vida, contando
a lenda “A Criação da Amazônia,
na visão Munduruku”. Da grande maloca da vida
saiu o primeiro homem Munduruku (Rairú), porém,
sentindo a solidão pediu ao seu pai (Karú-Sacaebê),
o criador do universo, um mundo cheio de beleza, onde podesse
viver feliz, pediu também “gente igual a ele
para habitar a terra”. Atendendo ao pedido de seu filho
Karú-Sacaebê ordenou que ele fosse ao umbigo
da terra, e lá ele encontraria uma corda de algodão,
e pediu que amarrasse com bravura e coragem e abrisse a maloca
da vida e lá ele encontraria os seus irmãos
mundurukus, Apiacás, Parintintin, Sateré-maué
e kaiapó e todos os seus irmãos animais e vegetais
povoando assim toda a Amazônia.
O
guará vermelho, pássaro que anuncia o
alvorecer do 1º dia para os índios munduruku
trouxe a porta estandarte Nabila Barbosa e o 1°
dia foi anunciado pelo vôo do pássaro guará-vermelho,
miticamente considerado o pai do “sol”.
Nabila representou o primeiro dia da criação
do mundo.
Fazendo
uma viagem no imaginário indígena, no
auto da criação Munduruku a Índia
Guerreira Thais Sampaio personificou-se de Yucatã
a primogênita dos munduruku´s.
A
apresentação da tribo foi ao mesmo tempo
harmônica e empolgante. Os torcedores vibraram
especialmente com a música mística do
fogo e com a tribo coreografada que veio representando
os homens urubus, mulheres araras e feras guaribas com
uma coreografia de encher os olhos.
Com
a lenda Amazônica Yrupê (vitória
Régia) a Tribo Munduruku lançou seu lamento
pela preservação da água doce no
mundo, a Guardiã Tribal, Gabriela Batista, representou
Naiá, a flor das águas amazônicas
e convidou o mundo para preservação das
águas doces.
A
arquibancada também se destacou com muitos adereços,
animando a evolução da tribo com um espetáculo
surpreendente, empolgante e cheio de desenvoltura.
O
ritual indígena apresentado foi o do Tamakuaré,
onde o pajé ordenou que jovens Xavantes fossem
a floresta à procura do animal sagrado, o Tamakuaré
verde, animal que some rapidamente, porque facilmente
se camufla na natureza, porém um outro tipo de
Tamakuaré, o pardo, eles não poderiam
pegá-lo, pois este erro poderia despertar a ira
de espíritos malignos, destruidores e devastadores
no mundo e na nação Xavante.
A
tribo Munduruku fechou sua apresentação
mostrando para o Brasil que Amazônia cunhantã
dos olhos do mundo é um canto de esperança
e clamor pela vida, no santuário amazônico
tão fundamental para a jornada do homem rumo
a um futuro cheio de incertezas, mas com esperança
de fazer o mundo inteiro inspirar-se no exemplo dos
índios que através da linguagem do coração,
do amor tratam a natureza como mãe.
MURAPINIMA
Os
Muirapinimas segunda tribo a se apresentar desenvolveu o tema
“Celebração Indígena”, fazendo
um apelo em favor da valorização do índio
amazônida. Mostrando o quanto é importante celebrar
a vida, exemplificar algumas cerimônias que dão
continuidade as tradições e costumes das etnias
indígenas. O narrador Silvio Araújo iniciou
a apresentação da tribo azulada animando a galera
e chamando o apresentador Théo Neves e o Regional Filhos
da Terra que no primeiro momento surgiram como seres das trevas
e em seguida se transformaram em paisagem amazônica
levantando a galera. Théo Neves deu boas vindas à
comissão julgadora e lhes apresentou o tema que iniciou
com a lenda amazônica Yebá Belô para representar
uma das várias versões existentes sobre a criação
do mundo na visão dessana. Segundo as crenças
indígenas Yebá Belô era avó do
mundo e achava que faltavam muitas coisas para completa-lo
então resolveu criar o Umukowi, a grande maloca rochosa
e dar vida e os seres que poderiam habitá-la, e do
seu ventre surgiram lindas mulheres férteis que deram
luz a humanidade representada pelas tribos Kamaiurá,
Taulipangue, Ticuna, Kaiapó e a Yanomame que apareceram
do ventre de Yebá Belô para concorrer ao item
evolução tribal.
Outra
lenda enaltecida na apresentação foi a
de Jurupari e Ceuci que trouxe a Porta Estandarte Suame
Gonçalves representando Yebá Belô
à avó da terra que surgiu do alto do tribodromo
na alegoria “Feto de origem quartzo“, simbolizando
a vida causando euforia nos espectadores. A Guardiã
Tribal Darlene Nascimento surgiu da face de Jurupari
personificada de Ceuci a mãe de Jurupari que
na historia foi levada ao céu pelo seu filho
e transformada em uma estrela resplandecente.
A
dança das almas, rito dos índios Bororos,
foi lembrada na temática dos Muirapinimas, com
a Alegoria “Aroe ereru“ na qual surgiu a
Índia Guerreira Roneise Santarém representada
e incorporada pela cobra, espírito das águas,
curupira e espíritos das matas que também
eram celebrados pelos os índios Bororos.
Destaque
para tribo coreografada que mais uma vez inovou levando para
a taba sagrada módulos lembrando gigantescos morcegos
sobrevoando o tribodromo, mostrando o duelo da tribo dos Tapajós
que foram enganados durante a celebração ao
deus Aura por um demônio destruidor, representaram pajés,
metamorfose de ererês e onças.
A
apresentação da tribo Azul foi organizada, empolgante
e a animada torcida vermelha e azul mais uma vez fez a sua
parte, e com pompons, bandeiras e principalmente palmas, cantou
e fez bonito junto ao apresentador Théo Neves com sua
habitual segurança e os demais itens. Destacando o
ponto alto da tribo o “ritual Aura Xamanístico
Minikaw” o qual os indígenas acreditavam que
quando morto os índios lhe colocassem a máscara
ela podia passar para seus ossos a qualidade da divinização
e eles se igualariam ao deus Aura e quem tomasse o pó
dos ossos dos mortos seria incorporado por Aura que veio representado
pelo pajé Alisson Lima conduzido por um Ererê
em metamorfose de onça.
Os
Muirapinimas utilizaram tanto a arte cênica quanto a
interação com a galera como pontos cruciais
em sua apresentação. Todas as alegorias da tribo
representaram personagens simbólicos de acordo com
a temática da apresentação.
Ao
deixarem a ocara sagrada da festa tribalesca, os Mundruku´s
e Muirapinimas mostraram que continuam com a garra de sempre
apostando na cultura indígena e que a Amazônia
necessita ser explorada de forma sustentável, sem tirar
a vida do povo esquecido da floresta. |