referido Paraná.
Num determinado tempo, meus pais mudaram para Óbidos, onde nasceram mais três irmãos - inclusive eu com muito orgulho. O meu irmão mais velho, também trabalhou no Paraná. Mais tarde, o meu quarto irmão, da mesma forma, resolveu trabalhar no mesmo local, desenvolvendo as mesmas atividades começadas por meu avô. Numa de suas viagens à noite de Juruti para o Recreio, inexplicavelmente, aos 38 anos, caiu do seu barco em pleno Rio Amazonas. Buscas ao corpo foram efetuadas sem sucesso, ficando sepultado para sempre no grande Rio. Nesse tempo, costumava ir muitas vezes ao Paraná desfrutar das belezas do lugar. Por ocasião das festividades alusivas a Padroeira de Juruti, Senhora da Saúde, gostava de prestigiar esse evento religioso do povo jurutiense. Depois, dessa fatalidade com meu irmão, nunca mais voltei ao Paraná e nem a Juruti. A emoção que por certo sentiria, seria muito grande ao rever e relembrar todo esse passado. Mais tarde, a propriedade fora vendida, encerrando assim um longo capítulo da nossa história familiar, envolvendo muitos amigos e conhecidos.
Assim, foram os anos de afinidades com Juruti e o velho Paraná de Dona Rosa, cujo Amazonas, mudou radicalmente a geografia daquela área com o fenômeno das “terras caídas”. Muitas outras famílias faziam parte dos habitantes do Paraná. Uma delas, são os “Tancredi”, a qual pertence a ilustre e competente Professora da Universidade Federal do Pará Ana Maria que, juntamente com seus irmãos, praticamente todos os anos empreendem viagem de férias ao Paraná de Dona Rosa, a fim de matar saudades e rever o local onde viveram com seus pais na adolescência. Conservam até hoje a propriedade chamada “Santa Luzia”, onde tudo começou. Outra família que também residiu no Paraná de Dona Rosa, é a do atual Prefeito de Óbidos Jaime Barbosa da Silva, cujo pai - Carlos Silva -, firme e lúcido aos 85 anos, é um daqueles que pode testemunhar esse tempo.
A mesma coisa aconteceu com a “Família Amaral” - aficionada pela pecuária -, e responsáveis que foram pela melhoria genética dos rebanhos daquela região, estando as propriedades logo na entrada do grande Paraná. Já naquela época, as residências dos “Amaral” eram todas confortáveis em pleno interior amazônico, o que significa dizer que morar bem é possível - seja aonde for -, mesmo nas barrancas do amazonas. Que o diga o meu amigo e escritor Ademar Ayres do Amaral. Não conheço alguém mais apaixonado pelo Paraná de Dona Rosa do que ele, fazendo sempre questão de falar com muito entusiasmo das suas origens, e narrando fatos que também marcaram esse período da sua vida. Mas, só que Óbidos é a sua terra natal, dividindo assim o seu coração com o inesquecível Paraná. Nada mais justo.
Passados tantos anos, e para a minha alegria, vejo hoje Juruti despontar como uma das cidades mais prósperas da região Oeste do Pará com o surgimento das minas de bauxita existentes no seu rico subsolo. Que essa riqueza toda possa ser de fato canalizada para o bem-estar da sua população, e o progresso que dela vai surgir, transformar a cidade no orgulho de seus filhos.
Presto assim, minha homenagem à Juruti - e em especial, ao querido Paraná de Dona Rosa -, onde ainda conservo gratas lembranças dos momentos de alegria e prazer que ali desfrutei no fulgor da minha juventude. |